“Quem em noite de lua/
Da Esplanada dos Ministérios/
Se aproxima há de ouvir u'a/
Voz que ecoa, entre blocos/
E um aboio assim sentido/
De onde vem? Mistério//.
Se aqui não há bois/
Se não pastam nestes gramados/
Vacas, touros, marruás/
De onde vem esse aboio,/
Que bichos ele conduz,/
Que ameaças nos trará?//
Que segredo esconde/
Essa aparição medonha/
Será milagre de Deus/
Será alguma peçonha?/
Se quer saber então ouça/
Não faça cerimônia//
...
"Ei-lo caído de bruços/
Para o campo paramentado/
Peitoral, perneira, gibão/
Chapéu passado o barbicacho/
Voou no rabo da rês/
Mas só chão havia embaixo"
...“
“E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido”
E o vaqueiro estatelou fazendo um borrão de sangue no simentado do serrado.
Nem um monumento aos candangos que deram a vida por Brasília, literalmente.
(Romance do vaqueiro voador, de João Bosco Bezera Bonfim)
(foto: Geraldo Vieira)
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